Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Um coração que pulsa,
não repulsa a vida!
Sangra-a de adrenalina.

Quinta-feira, Abril 03, 2008

PIANO FORTE!

Piano forte!
A vida é forte.

Quero amenos e silenciosos toques nesse piano pois,

quando os loucos amigos chegarem,

saberei calar e suportar O SOM

Falo de mim com o som da sua vóz.

Psicográfo nossas emoções.

Em algum lugar de você e de mim,

sei que ressono.

Não somos originais.

Somos únicos.

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

JACA

JACA
manteiga frondosa,
manteiga se expande


O galho

JACA
no ar,
jaca no chão suprimento

no chão,
se deprime alimento


Ser a JACA MANTEIGA,
mesmo q estirada
aos pés,
esfatifada

é
naturalmente nobre
sendo o que é
dura ou mole,
íntegra ou gosmenta.

É ela,
sempre bela,
JACA
A
JACA

JACA MANTEIGA

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Ferro

Você existe?
Pra mim, sim!
E eu tenho vontade de correr para a tua irresponsabilidade mas,
não encontro a irresponsabilidade de ir.
Provoco, mesmo sendo
muito dependente do querer alheio.

Conheço uma menina assim.
Queria enfiar um ferro no coração da criança.
Não me leve a mal!
Ela estaria pronta para este mundo se misturado
o sangue ao ferro.

Crianças a perseguem com razão.
Toda crueldade tem razão nesse mundo e sei,
que os pés da jovem não pisam no chão por completo.
As marcas de suas pisadas são frágeis.

Nada teria com isso mas,
vejo.
Vendo,
me abro em desejo de cravar-lhe a força do metal.
Uma quiméra de apoio,
de carinho
de potência.

Tenho empatia, sim.
Quero-a livre!
Andei pelos pátios machucados e lá não é lugar para ela.
e nem em nenhum outro.
Sobra.
Falta.
Dói.

Nada de pregos definitvos nem
de normalidades.
É preciso apoiar as fortes irresponsabilidades de
certas almas.

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

Parceria?

Canta!
Canta logo pois, a noite é vinda e eu sozinha vou procurar os sons.
Garrafas anônimas quebradas, jogadas no chão como eu, rompendo comigo a cada segundo.
Rompe!
Rompe ousando me rasgar pelo avesso e me reavessar ou então, não fale meu nome. Não o escreva em seu diário dourado. Inventa-me como aos outros.
Rasga!
Rasga o vestido preto banalizado pela economia e pela sedução da cor... Minha pele é mole como a das gentes e, dura! Dura muito.
Amolece!
Amolece minha trava e a faz flexível mesmo com ferrugem. Puxa a marcha e me leva adiante. Se eu não quiser sua presença e só a viagem, ainda assim será bom.
Trava!
Trava o seu tempo honesto. Me dá uma carona me levando para conversas, goles e beijos. I need some satisfaction!
Carona!
Carona com teu nome sendo o meu e arrisque. Não quero os trunfos. Quero os arranhões para seguir nessa estrada sem medo de "ser ou não ser"! Sem questão.
Arrisque, risque e chega. De todos os blefes, o mais confortável sempre foi esse: o de ser anônima, sem nenhum riscado da minha assinatura, apesar dos rastros; maristela. maristela. maristela.



Leva!

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Beija-Flor

Passos gástricos. Tá tudo ardendo!
Pouco tenho escrito ou lido com o tempo escorregando na vidraça escancarada em sol.
Prédio morderno!
Mas meu olho ainda cheio de remela de uma vida toda enrolada só vê invenção!
É tão alto aqui!
Parece que tá tudo resolvido lá fora e eu vou pular sorrindo no colo de alguma gravata que deu uma escarrada no beija-flor que me iludiu.
Que lindo!
Bicou meus lábios quando eu abria a janela da cozinha. Achei que fosse sorte, um sinal de otimismo eterno!
Que nada.
A água não voltou mas, vou limpar as brechas dos olhos para enxergar algo de real como a geléia matinal com desejo de calma, de ser grandona.
Me lembro dessa "antiqüa"!
Ser maior que os muros, que os relógios de cimento, que os estorvos bancários.
A primeira nota tocada puxa a segunda no rock'roll na alma!
dom, som, tom...
Nada de legível vejo mas, sinto algo irrestível. Um corpo quente se aproxima e aí a remela é de selvagem fêmea, moça de mel que não procura mais.
O mel suplanta o fel dos dias não vistos.
Mesmo gota, esse graal me atiça e parece querer ficar em mim para sempre. Trampolim para o outro lado da mulher. Fecho a cidade.
Mergulhar e existir.
Só os grunhidos e os vocalices!
O que me atiça, atira em mim e me tira o ouvido que se quer moco.
É assim que se ameniza naturalmente os dias de querer suicídio.
Se parasse de fumar, cantava.
Cantava afinado, sorrindo úmida as ilusões. Tombo raso-mundo me banhando em amor. Para as gentes ao meu redor, cantaria mais. Cevando-os de amor com leite e com meu grito de guerra, lembrariam o que por tantas já disse:

VAMOS VIVER!!!
VÃO VIVER!!
Com toda licença poética
verdadeira
de alguém tão vidro
como nós.

Abram as janelas.
O beija-flor bica um doído tão gostoso!
Levo chuva de palavras singelas,
adagas....
De todos os tipos são as palavras,
com sons que invento ser
de tua vóz.
Você tem uma vóz só tua que
é só minha.
E adoro ouví-la e vê-la aqui
(que seja).
Se abro essa caixa dinossáurica e não te vejo,
doce, insistente, compreenssiva e ciente do nosso amor,
sou capáz de dizer que o mundo está por um fio pois,
sem querer,
tudo abandonei.
Mas você me diz que não,
sem julgamentos a me chamar insistentemente e eu
agradeço aos céus,
a seleção que naturalmente fiz.
TE AMO, LÚU!!!!!!!!!!!
Você já me conhece tanto assim? Ou sou de uma sensibilidade banal, daquelas que poderia riscar no esquecer, quem sou? Um poema para mim. Esse? Você, como alguns que nunca me viram, sabem melhor quem sou do que eu e, por isso, morro de inveja e
carinho por vocês.
vou guardar,
proteger palavras ressonância pois asssim, me verei ao abrir a gaveta com teu escrito. SONSSSSSSSSSSSS



para Alexandre cthulhu e Lu.

Quinta-feira, Julho 19, 2007

T rrr r a n nn si tar !

Na divisão dos mundos ,
fui abduzida até a metade.
O ddeeeesgrrrrrude
das partes.
Gritoooooooooooooo
IntegridadeidadeidadeE
Não me importando
o caminho,
as porradas das
SURPRESAS

Ora os ventos da loucura,
Ora os ventos da sanidade.
São imponências das sensações.
Não se pode ser metade.
Trânsitarrrr
Um dia caverna
nua!
Outro, terra
capa
ao sol.
Mas metade, não.

Um corpo cortado é adaga interrompida.
Metade/Parte inútil de madeira nas mãos.
Metade/Parte Lâmina cega
sem poder de penetreção.
Sopro da maluca,
alada,
sem precisão.

T rrr
r a n nn
s i
t a ndo...

...conheci lugares!

Terça-feira, Julho 17, 2007

Segredo meu

Nunca azul demais, nunca azul cinema... Minto!
Às vezes azul cinema, sim; a ilusão mais nobre.
Mas não te preocupes com a minha estadia
no momento irritadiça,
com os quatro cantos da existência que vejo.
" Tudo passa." Diria minha mãe.
"Me dá um chêro!?" Diria meu pai.
"Maris não me pega!" Diria meu irmão.
E não os vejo mais.
Fica-se mais velho mas... Há tanto tempo não vejo nenhum deles!
E dizem que as imagens se apagam.
Na verdade, falaram tantas coisas que eu acreditei...
Eles, que foram, continuam aqui,
vivos à ponto de eu pedir para irem embora do meu corpo,

num exorcismo que só deixará lembranças de aprender
ainda que senhoura,
a andar só
sem lamentar a
ausência do cafuné,
do afago,
do amor cego e visionário.
Não tê-los acalanto,
no canto,
me dando possibilidades de erros,
acertos e reparos.
Duro foi o caminho que minha mente traçou de continuar sendo tão
filha
quando sou mãe sem pais na terra do
Speed Racer que alíás,
já está velho também.
Sou uma anciã que gosta de cinema,
que precisa do azul cinema,
da energia solar e do
roçar nos cabelos.
Mas isso,
é segredo!

Segunda-feira, Julho 09, 2007

Disfarce


Já tirei a roupa em público
para ninguém me ver,
os olhos.
Já joguei gasolina nos carros para que
ninguém reparasse meu pés na
outra calçada,
outra calçada,
a outra calçada.

Já bebi dez garrafas etílicas para que
a poesia não pulasse
da minha boca.

Fiz de tudo para esconder meu cheiro,
minha pele, minha alma,
dos humanos esquisitos.

Para ser invisível e indolor
marquei com fogo as costas
e a brasa brilhante lembrou-lhes
o sol,
o apocalipse.

Nada mais resta que eu possa fazer.
Fui notada. Pupilas me miraram.
Então, aqui estou a te responder como
sempre,
cutucada pelas tuas notas
certas de existir sem medo,
sem cansaço.

Matéria densa, ex-fugitiva,
quero saber o que vai ser de mim
agora que ouso viver
tal qual LU!
Tal qual Lou-Salomé!
Tal qual quem entende o
que sinto
e ri.




....foto da instalação PENETRÁVEL de Anderson Eleotério....

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Poética. Poeta, não eu!

NÃO SOU, NÃO VOU SER POETA.

Sou poética, levianamente e sinceramente poética.

Não tem jeito com o meu desajeito.
Vou escoando vidas e mortes a cada segundo
sem saber o que fazer com tanta alma.

Vou me perdendo mais do que me encontrando.
Choro pelo Rio de Janeiro, por São Paulo, pelo Agreste....
Choro e me acorrento como qualquer idiota.
Máquina de pensamentos com ações hipotônicas.

Mas hei-de reaver o foice em minhas mãos e,
acariciarei a terra,
plantarei,
lutarei e
passarei o frio do ferro no teu rosto para te estimular
poesia viva.

Terça-feira, Junho 19, 2007

Pedra preciosa,
me entreguei como um bem
a ser dado de presente.

Volto à tona
obviamente desgastada,
expelida.

Não é o Eu o bem maior de
ninguém

nem de nada.

Sou eu própria meu desejo e

o bem que
me ilude.

Em repetido homicídio ,
suicidei-me
no outro.
Eu.

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Para MARKO

Estou te seguindo nas ruas,
a céu aberto como
uma penumbra alada
a te proteger
sem lhe tocar.
A lhe soprar no ouvido
por onde andam as
pernas nuas

da moça,
a arruaça dos corações,
destravando os feitiços
que possam te encolher.
E como bailarina felina,
vivo no nada,
elo vago
infindo no
vão

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Observo de longe a moça
que escreve,
que passa o tempo tilintando
palavras no vento.

Conhece a ressonância,
sente a física do universo.
Se tranforma em causa,
tal qual um raio.
Em efeito,
tal qual a chuva.
E brilha solar nas luas
dos viajantes.

Quer se aprender
com olho do cego,
sem se reter alma.
Quer (se) conhecer,
sem definir quem
ou "o quê"!

Essa moça que passeia,
vem de longe na minha casa,
furando o
meu telhado com seu
suspiro.

Eu senti,
e ri!
Ela passa por aqui
vagueando da África a
Botafogo, a...,
coletando pó de mentes
e estrelas encolhidas.


Para Lúcia G.

Quarta-feira, Maio 23, 2007

Rimbaud:
"...o poeta é um vidente..."

das profecias da dor,
das profecias do amor,
das profecias das
liras
sem palavras.
Das profecias
em furor.

Segunda-feira, Maio 07, 2007


Quando meu coração bate acelarado,




descongelando,

rebentando meu peito
feito uma peixeira desatada,
fico felíz com o rasgão na minha pele pois você
está grudado em mim e
dá risada da batucada no meu corpo.
Te mostro, com pouco pudor que ele pula com a nossa presença;
trama, teia cardíaca.
Me domina então,
ao invés do medo,
a vontade de dançar,
de te abraçar mais e mais e mais...
E sorrio.
É melhor do que o vinho!



Foto de Marcel Fernandes
marcelfernandes.multiply.com

Domingo, Abril 15, 2007

FOTO DE PAULO INOCCÊNCIO
A culpa
no copo,
o cálice
na cova,
a cúpula
no corpo,
a cópula na carne
a carícia consagra!

E as crianças clamam
contínuamente,
calando a carnavalha
dos nossos corações.

Concedo mas,
cultivarei a culpa no copo, o cálice na cova, a cúpula, a cópula... , o nosso carnaval!

Terça-feira, Abril 10, 2007

Por mais que te pendurem como judas,
por mais que tenhas dado pauladas nos
armados e porradeiros como tu,
por mais que continuem te sufocando
com tanta culpa em erros compartilhados
e
apesar da tua reclusa opção
clamando um outro caminho,
eu te chamo,
eu te chamo,
eu te chamo pois
o tempo da morte,
para os vivos
nunca houve!

Segunda-feira, Março 26, 2007

"A SEDE DA ALMA É FISILOLÓGICA"




"Há muitos e muitos anos, os homens acreditam que a pelve tem um importância muito especial e vital. (A palavra SACRO significa osso sagrado.) É o local fisiológico dos fatores emocionais pessoais ligados à satisfação sexual e à fertilidade. A antiga fisiologica tântrica indiana reconhecia a pelve como a área que conservava a energia fundamental, a sede do fabuloso Kundalini. Havia e ainda há, seitas que consideram, o plexo nervoso relacionado ao sacro, como a sede da alma. Hoje, da mesma forma que há dois mil anos, os homens consideram-na fundamental para o bem-estar do indivíduo. " É por volta da articulação sacro-lombar que encontramos o
CENTRO DE GRAVIDADE DO CORPO.





CUIDEMOS DE NOSSA SACRO ALMA


Maristela Trindade
(terapeuta e preparadora corporal)
9111 1092 e 2527 4871

TRAGO EM MINHA BACIA
O TIMBRE DO DEVIR
EM ESTADO TONAL
COM POTÊNCIA NAGUAL

DOU PRECISÃO AOS OSSOS
E CONCLAMO A INTUIÇÃO
ANCESTRAL
O PENSAMENTO NA
MIRA DA AÇÃO.

NADA MAIS SE FAZ
NECESSÁRIO:
MEU CENTRO,
MINHA GRAVIDADE,
SACRO SANTA REALIDADE.




Segunda-feira, Março 19, 2007



Para DANMAGRÃO e DUPERÊ


Eu fui lá no blog d'ôces mas está dando frog na hora de comentar!
Comentar comentário comentatório
que a vida é só andar mesmo com os pés paradinhos

e vejo vocês de longe com sal e carinho
na ponta da silenciosa língua minha que não é muito chegada a doce
- mas ao chocolate!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

e fica uma vontade de mordiscar vôces...
Meu apetite abriu asas pra linha debaixo do equador,
aonde não tem gente amargor.
Eu mesma, dor já não sinto pois me acostumo depois de tantos anos
a ser quem sou-mutação.

Nem dor, nem rancor,
Só cor!
Cor do naríz do palhaço pererê que gosta de boldo porq gosta de mato e batuca triângulo!
Cor nos flashs mitológicos das Amandas apaixonadas e do Cristo Maravilha Sétima Contemporânea,
gravado num doce abraço do suvacoDan entubado no youtube!
Eu, youtube vocês,
compreendendo o tempo relativo dos meninos de vento,
desatentos e antenados
para o umbigo e o mundo
e digo forte e claro
COMO GOSTO DOS DOIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Beijos,
carinho e mutia falação com emoção

Maris

Segunda-feira, Março 12, 2007

Doces palavras de amor para uma pessoa difícil !!!



As flores que levei para a sua casa hoje,
o peixe,

o livro que li e
a música
que pedi pra você ouvir...

Todas as ilusões necessárias para uma
descontração que alimentei crescer nos
teus sentidos
- é preciso relaxar e,
eu sei: você é tão dificil quando se encolhe!
Enfim, pode demorar mais você virá!
Quando não importar o tempo,
revelado que o nosso relógio quebrou,

só restará uma coisa a fazer:
uma caminhada tranquila de amor!

Boa noite... MurilianamenteMendes,
Bons sonhosssssssssss de encontros com você!

Quinta-feira, Março 08, 2007

Por uma NOVA ANTIGA MODERNA SENSÍVEL PRÁTICA INTUITIVA....Mulher!


“Quebro a cara toda hora. Mas só me arrependo do que deixei de fazer
por preconceito, problema e neurose.”
(Leila Diniz)













Viver, intensamente, é você chorar, rir, sofrer,participar das coisas, achar a verdade nas coisas que faz.

Encontrar em cada gesto da vida o sentido exato para que acredite nele e o sinta intensamente.

(Leila Diniz)


Rita Lee

Isadora Duncan



Luz del Fuego

(Rita Lee)

Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!

Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como Luz del Fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!

Eu hoje represento uma fruta
Pode ser até maçã
Não, não é pecado,
Só um convite
Venha me ver amanhã
Mesmo!

Amanhã! Amanhã! Amanhã!...

Eu hoje represento o folclore
Enrustido no metrô
Da grande cidade que está com pressa
De saber onde eu vou
Sem essa!

Eu hoje represento a cigarra
Que ainda vai cantar
Nesse formigueiro quem tem ouvidos
Vai poder escutar
Meu grito!

Eu hoje represento a pergunta
Na barriga da mamãe
E quem morre hoje, nasce um dia
Pra viver amanhã
E sempre!



I-Ging, "O regresso. O tempo de mudanças." O princípio do regresso é um princípio básico de um antiquíssimo pensar matriarcal. Uma cultura da paz não pode deixar de recordar-se das fontes matriarcais.Que estas teses contribuam para que uma força revolucionária silenciosa cresca nas mulheres, um orgulho e uma determinação revolucionária para um agir político específicamente feminino, que imperturbávelmente luta por esta vida. Especialmente importante para nós é uma nova relação a este espaço da existência terrestre, e nos recordamos de forma nova da origem da matéria, da Magna Mater. Estas teses também foram escritas para homens. Mais ou menos todos fomos por vezes homens por vezs mulheres na história. Procuramos a libertação do pensar e do agir feminino neste planeta, e a reintegração do lado feminino em todos nós. Que os homens nos apoiem neste nosso novo passo e que vejam a libertação que - também para eles - está nisto, por que tantas coisas dependem da cooperação certa entre homens e mulheres.
por Sabine Lichtenfels

Winnie Mandela




Elza Soares por Mário Luíz Thompson

eu sei: sem água, crianças, homens, animais, plantas e planetas......
Nunca seremos felízes sós!

Foto de João Saboia


Quarta-feira, Março 07, 2007

Barrigassssssssssssssssssssss

Olha bem pra essa barriga que está dentro da barriga do mar
que reflete as luzes temperadas da barriga do céu

e diz se você não está dentro de uma coisa parecida,
meio que dormindo,
meio que acordado,
meio que em dissipada leveza dentro de tanto água....

...percebendo ser pequeno e único
a ponto
dos malfazejos do mundo
andarem depressa demais para o teu tempo
tão embrionário.

Você constata que está envelhecendo na barriga do universo
podendo ser abandonado,
acariciado,
mal amado,
compreendido,
mal entendido,
orfão,
beijado
ou até
assassinado...!

E aí
vem um bandido que te enche da luz roubada de todas as escuridões
pra
que você flameje quiném vela acendendo,
tendo o umbigo bem alimentado de tudo que é bom e mal
sentindo-se em casa,
flutuando no nada,
sem nem querer saber
quem é que te amou ou não!

E os outros são Los otros.
No mundo em que tu transitas o que
vale é o despertar,
nem que seja para incomodar!
Incomodar muito porq do útero,
se pode tudo.
Tudo que a luz te dá.





Domingo, Março 04, 2007

Pés



Nossos pés, nossa caminhada!

"Pés: o primeiro desafio
O equilíbrio do corpo começa nos pés, pois o trabalho básico do pé e do tornozelo é oferecer uma base confiável pela qual a parte superior do corpo possa se relacionar com o plano horizontal da terra. Só trazendo-se a paz "do solo para cima", os problemas da parte superior do corpo podem ser compreendidos."

Ida P. Rolfing


Só larga o sapato quem sabe andar descalço!
De toda a beleza de certos pés,
tenho aquela só minha que se planta no chão,
parte a parte me estimulando a seguir
por qualquer estrada,
mesmo que áspera,
mesmo em diáspora,
mesmo dançando
só.

Maristela Trindade
(Terapeuta e preparadora Corporal)

Quinta-feira, Março 01, 2007

BANANAS

Me aperta no peito ver as bananeiras morrerem por descaso,
fruto do amor colonizado e vingativo deixado pelas NAUS
sem bússulas nessa terra.
Para tal, é preciso reaprender a amar e
DESARMAR!
Tantos tipos de armas espalhadas!
Amor-faca, amor em castas diluídas nos pandeiros,
como uma banana mal comida, com carne e casca apodrecendo no chão.
Nossa abundância rejeitada!

Mas pra que serve a culpa costumeira, que de criativa e revolucionária nada tem?
O operário da arte vê.
Não se satisfaz no prazer estético final e segue jogando sua alma em movimento nas obras que compõem.
Ele vê o mundo por necessidade de ser transformado, transformador e transformação.
ELE COME BANANA.

Vê o abandono da planta e das gentes em cada esquina com o mesmo ímpeto com que atenta para o inesperado do mar e se remexe,
se complica e se aplica em trabalhar no grito do silêncio que pode vir a ser palavra, ou não.
Aperta nele a insitência de querer se relacionar, mesmo sem saber o "como dizer"
Compartilhar bananas!

O amor não reciclado, seca.
A ferida seca. Os olhos secam. Secam alguns vivos em suas razões congeladas.
Mas antes da inevitável morte, saltam aos olhos o humano e o desumano nas labirínticas ruas cheias de crianças assassinas,
cheiradas, mal amadas, não educadas, de pais espancadores,
desempregados,
machismos femininos e masculinos, jovens putas sem opção,
votação para a pena de morte e presídios como referência para a criação
da nova marginalidade.

A visão desse operário anda colada na carne, esbarrando nas insistentes microfísicas de poder, com martelo em riste. Os "...podres poderes"
Estão por aí os juízes da inquisição, limpando as ruas seja pelo Pan, seja pela prática mórbida de caçar bruxos entre aqueles que conseguem viver de lixo, plantas, restos de BANANAS e outros calangos.
Sobrevivência, amor e arte.

Pseudos de todos os tipos com tapa-olhos de avião, tirem os tampões!
É indecente ver banabeiras morrerem e transformarem esse país numa terra sem opção que
não dá educação,
não dá educação,
não dá educação para as nossas crianças !

Tenho cortes internos que gosto por serem meus.
Me ferem como ferem todas as feridas.
Eu os curo com BANANAS.
Muitas bananas.
Nossa abundância.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007



Quando,
de súbito o computador se torna uma chatice,
o blog parece um frog e eu, sem nenhum pique pra pular teclados...
Abro a caixa de emails e sinto um grande tédio observando esse correio
sem selo, saliva, com algumas atrações especiais e desejo ir pra rua! AH, se essa rua fôsse minha!
Quando vários blogs se tornam lindos e interessantes, um "ticket to ride" mas o que eu quero mesmo é uma carona inesperada surgida não sei de onde para donde... Talvez, dentro de uma história qualquer!
Quando um ciclo se renova e a casa, o corpo, a comida, quase todos os hábitos
e os hálitos
modernos e inteligentes devem ser parte da mudança...

Rogo por uma leveza mais antiguinha,
com cheiro de planta que a Fernanda Young
detestaria.

Quando a poeira no computador não atrái a limpeza diária,
não vale uma carta,

um poema de amor,
uma doação qualquer...

Hora do café.

Quando o "quando" que quero se revela num blues voando pela casa,
numa especiaria, num vinho lua
ou no cansaço praiano, com um livro adormecendo em cima do meu corpo estirado no sofá até...

Até que chega a hora da inquietação me bater e eu começar a escrever sem noção do que é bom ou mal
afinal,
escrever é tão normal!
Tão normal quanto ir ao cinema, chorar ou sorrir, desmanchar o namoro, dormir com alguém sem previsão da semana que vem!

Escrever é tão normal que
não quero mais entalar os artigos definidos pra ficar
por dentro das exprssões e fora das minhas conecções.

O "A", o " AS", bando do fluxo de palavras-vitais
desenhando corpos com idéias, réplicas das anatomias mortas dos livros.
Os vivos, nunca experimentei em nanquim.

Escrever e esquecer definitivamente de querer ser brilhante e brilhar com o reflexo solar na folha branca.
Tô entediada mas não quero morrer, não quero matar, não quero saber dos
malfazejos
dos amores que eram eternos, mesmo os dos amigos mais sinceros
e
armados.
Aturar as chatices, os exageros, as distrações e até meu poder
de sedução - correndo um infanto-risco constante!
Um circo levemente perfumado com essência masculina e óbvio jeito de mulher.

Pra que nesse momento,
saber tanto de tudo,
do tudo que se quer!
Escrever o "quando"
se é tarde
e estou cansada no tempo,
quase sonhando?!
Tô quase ...
Quase "quando"

Sábado, Fevereiro 17, 2007

NAIRA

Ontem, eu a toquei como de costume. Do superficial ao superficialmente
profundo. Afinal são 92 anos de pés no chão nesse mundo. Me suscita
carinhosa cautela.
As raízes são tão visíveis, como uma escultura mutante mas já positivamente
terminada.
Respeitando sua pele e executando meu costumeiro ofício de aliviar dores e
reconstruir corpos para caminhos mais leves,
ouvi sua vóz balbuciando palavras com tranquila segurança.
Conversamos sobre o hoje e o ontem.
Nessa fase da vida, esse tipo de comparação é estranha, quase inútil.
"Aconteceu na vida o que tinha que acontecer e assim, continuará."
Um doce pragmatismo de quem não enrijece músculos por qualquer coisa como os
jovens adultos no auge de suas vidas.
Mas eis que no meio da nossa conversa, surge uma doce lembrança específica,
qualificada, que valeu à pena ficar viva dentro dela pelo seu diferencial.
Minha bela lembrou-se do amado. Anos de convivência com um homem que, entre
outras, saía a pular carnaval enquanto ela sorria vendo-o ir, esperando sua
chegada no quarto dia, sorrindo com o sorriso do folião.
Assim parece ter sido o tempo que juntos passaram e que valiam aquelas
lágrimas que lhe corriam o rosto enquanto eu tocava seus pés, por um homem
que já se foi há trinta anos.
Ela lacrimejava sua felicidade como que num delicado agradecimento por estar
viva e poder trazer consigo, intacta, a viva memória de um amor que ainda a
habita e me fez calar, como se esse amor de dois, fosse agora meu também.

Maristela Trindade

Ana "Claudinha" Calomeni - www.inverdades.weblogger.terra.com.br -
me desafiou com o maior carinho, pedindo um texto com o tema "Delicadeza", para blogar na revista virtual coletiva BANGA - banga.zip.net//. Um mix do povo Rio com Sampa que dá o maior samba, prontos para as positives conections. Fui, fiz e deu nesse carinho por uma jovem... Agradeço pelo estimulo de escrever através dos "mistério da Delicadeza" , nesses tempo duros.
É quase um desafio mas, vindo da fonte certa, vem "facinho"!
Obrigada Bangas! Claudinha, todo o meu carinho!

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007





"Estrelas mudam de lugar!
Chegam mais perto só pra ver
e ainda brilham de manhã,
depois do nosso anoitecer...!



Faça chuva ou faça chuva,
elas vêem estrelas!

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Os LUTOs!


"Luto" pelo que morreu, pelos que mataram e pelo povo como estamos.
NÃO SOMOS CULPADOS
mas, muito mais passivos do q pacifistas,
voltando a falar da PENA DE MORTE ou PERPÉTUA numa ira imediatista,

ignorando o estado dos presídios desse país entre outras muitas negligências absurdas.
A MAIORIA de nós, pouco falaria se as atrocidades não estivessem nas primeiras páginas dos jornais.
"Luto" também por nós que não organizamos nossas agendas fora do dia das tragédias, reinvidicando melhorias EM TUDO: EDUCAÇÃO, ALIMENTAÇÃO,DESEMPREGO... CIDADANIA!
Menininhas continuam sendo vendidas pelos pais para a prostituição e (ou) para alimentar os irmãos.
Homens escravizados nas mãos dos fazendeiros continuam lá, ali, espalhados por nossas terras, entre outras.
Mulheres espancadas, humilhadas.
Homens com medo do "poder" das mulheres de tailler ou das loucas faladouras, se tornam arredios.
E elas também, quando não, repetindo o que tanto abominaram.
Filhos criados como Tamagoshis.
Outros sem o privilégio de chamarem alguém de mãe, de pai, elegem como proteção familiar as armas que apertam nos braços doadas pelas mãos dos "tios".
Homosexualismo ainda é "fofoca" interessante nas várias rodas de hipocrisia.
Antes falássemos de bananas!
Estamos vivendo na banalização de tudo!
Estamos em LUTO cego e sem LUTA há muito tempo.
NÃO SOMOS CULPADOS!
SOMOS MANIPULADOS COM IMENSA POTÊNCIA!
Ignoramos no micro e no macro a nossa FORÇA de união, compaixão e de conquista!!
Muitos de nós, bem educados, matamos de perto e a distância nossos desejos de paz.
As gravatas continuam blindadas e nós, vendo a morte de vizinhos, anônimos, índios, crianças e dos nossos instintos missigenados.
É mais um dia de LUTO e quiçá, de LUTA pela DIGNIDADE COLETIVA! Haverá sempre uma utopia! Uma chance!
A agulha de anestésico aplicada no coração dos que mataram esta criança, está muito próxima das nossas veias e artérias.
Não podemos deixar de LUTAR, NO LUTO por um congresso que debata e estude com seriedade as nossas opinões, idéias, ações pensadas contra a miséria geral desse país.
LUTEMOS, NOs DIAs "LUTOs"
da forma que pudermos. Pensando no que podemos fazer, como unir-nos não só na dança dos ritos sem causa.
Assassinos de todos os tipos, não faltam por aqui.
NÃO SOMOS CULPADOS.
Estamos chapados demais!

Os LUTOs - A LUTA!

Domingo, Fevereiro 11, 2007


Havia um silêncio mentiroso em mim.
Um silêncio lotado de sons zombeteiros
com os quais não soube brincar.


Do silêncio,
quero o silêncio como me ensinaram que seria,
silêncio!




E eram muitos os sons!
Vozes sem corpos,

timbres alheios transbordando
o meu imaginário numa
zueira infernal.





Agora
estão calando.

O cansaço,
a exaustão
me levam de volta ao meu avesso.
Espaço de dobraduras onde
em algum canto encontro,
sem as explicações que tanto procurava,

um pouco de paz.


imagem de Marcus Vinícios

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007




Amigos
Nao tenho palavras, nem desenhos, musica ou qualquer coisa para expressar o que eu senti com a Barbarie ocorrida no Rio ontem a noite, da qual ficamos sabendo hoje. Uma revolta, raiva, indignação e tristeza sem fim.....Poderia dizer que equivale a um 11 de setembro, a uma bomba de Hiroshima, a guerra do Iraque etc etc etc, mas quanto vale mesmo uma única vida? Especialmente a de uma criança arrastada por um carro de forma tão banal!

Alguns podem descordar mas a única coisa que pensei é que estamos sós (SOS)....nenhum Deus, ET's, vidas inteligentes de outro lugar qualquer ou auto ajuda particular irão nos salvar. Cabe a esta raça, algum dia, se é que ele vira, decidir mudar esta realidade horrivel que vivemos,em conjunto. E não somente permamecer no planeta, mas vivermos todos (os 6bi) com mais dignidade.
Mas sinceramente, hoje eu senti algo como "raça em seu fim".

escrito por Gito





Em alguns lugares a poesia,
noutros a nevralgia.
Maristela Trindade




Ontem, apanhei.

Hoje, apanhando
flores.

Meu gato comeu minha rata. Viva meu tigre!

Meu gato comeu minha rata e
levo acima dos ombros,
o olhar danado do meu tigre.
Estou indo para
passárgada!

Minha antropofagia chora
os minutos que Oxúm
pede,
depois, "Ogúm, canta para Ogúm!"

A carne putrefada de alguns
que comeram os urubus,
não estão mais em mim.
Moram na lingua dos homens
que ainda pensam ouvir,
mas são surdos e falam demais!

Meu gato guardou o melhor do rato!
Me cuido pois, o santo é de barro!
Como dizia Paul Valéry,
"Não tenho desprezo pelos homens.
Bem ao contrário. Mas pelo homem.
Este animal que eu não teria inventado."

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007


Esse menino-homem tá me provocando!
Tá abrindo os meus olhos com seu jeito,
sua maturação, anseios inesperados e
muita determinação.

Esse menino-homem não chora à toa,
não faz da vida uma garôa pois é solar!
É pássaro que mesmo no chão,

voa como um jato para a imensidão.

Gentil, me deixa leves signos de que
voltará sempre a casa, senhora na terra.
Encantada, eu digo sem me amedrontar:
- Vai! Vai com a luz, meu filho que
Voar é o teu estar.

Domingo, Fevereiro 04, 2007

O massacre de Focault

"Um livro é um animal vivo."
Aristóteles


Sair!!
Ficar!
REINVENTAR!
Eu não passo despercebida mesmo quando tento.
Não sou o sol mas sou da luz clara!

Luz que às vezes maltrata os olhos alheios.

O controle quebrou.
Quebrou, fudeu!
Razão social: culpada.
Ladra de luzes!
Perdida,
na escuridão ofuscada!

Não sofra Foucault pela micro-física
do poder que contamina continuamente.

Julgamentos!

Digo que entendo a insuportabilidade e a atração
que provoco.
Mas
não saio sem abrir as pálpebras feridas e
dilatar
as mentiras dos que não se dizem
meus parceiros: são ladrões!


Como eu, roubam sem querer roubar
as luzes das almas e,
as devolvem em arte ou enfarte.
Nos achamos banhados na boa vontade.

Meu controle quebrou mas guardo uma
certa ética que aprendi com os mais
experientes:
saber-se ladrão é buscar a clara escuridão.
Ignorar, é tropeçar na sombra da falsa luz.

Sair! Ficar!
Reinventar!
Vocês que ficam na consciência do que representam,
apaguem as luzes em silêncio,

segurem o espelho em frente a face
na coragem de ser o que são e,

cuidado: todo controle quebra podendo
o martelo da "justiça", prazeirozamente,
te triturar na escuridão.

Sábado, Fevereiro 03, 2007

Linda ela,
Linda ele,
Linda ela,
Linda ele,
Linda
ela, ele, ela, ele,......ela, ele, ela, ele.....
Às vezes um se vai,
e outro vem.

A vida não é só

Domingo, Janeiro 28, 2007



Desenvolve-se nela muito do que há em mim;
grandes gotas de movimentos,
curvas corporais

e o bailado complicado do humor.

É tão mais hábil,
preparada para sorrir e lutar
que me deixa sem jeito.
Deixa sem jeito até o meu jeito de amar.

Todas as gafes que ainda cometo
não são suficientes para diminuir-lhe
o brilho,
e espero que não seja
nunca.

É minha amada e é assim;
no jeito intruncado da vida,
que ela saiba
sempre,
que viver sem ela é viver
sem mim.

Sábado, Janeiro 27, 2007

todo humano deveria sentir-se assim....

humano em desenvolvimento


obra de Ed Sartori

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

"...um homem pra chamar de meu,
mesmo que seja EU!"



Porq é bom ter a mente-coração preenchida
de tesão,
invadida de carinho,
com vontade de dar flores roubadas, sentir o cheiro,
beijar o pescoço,
escrever uma carta e selar com minha lingua
rosada.
Musicar os dias com impulsos intensos de estar
tranquila e expandindo a vida nas mãos dadas.


Para não cair no
poço fundo que o desejo quer,
num corpo qualquer,

me encontro comigo e digo: hoje, quero você!
Só larga os sapatos quem sabe andar descalço.




Casca de pé engrossada
na lida do dia a dia pois esse,
não é um país de rima.
É um país de contra-tempos.
A música da boa é sempre
senhora e com pouca
firula, coloca rítmo na cultura
com tapas de sobrevivência,
com tesão na resistência com
unhas crescendo em curva,
em diagonal,
dançando!
Os sapatos pretos dos ternos
são caixões que escondem os
vivos assassinos,
os ladrões,
os
mortos calçados.
Ficarão um dia cansados?
Só debaixo de muitas rosas com
proseco no cangote.
Mas nós,
nós andamos descalços,
casca grossa e pandeiro.

Só larga os sapatos quem sabe andar descalço.

Domingo, Janeiro 21, 2007



Palavrear é muito melhor quando se tem alguém
a te falar,

ouvidos a ouvir.
Quero responder perguntas, ficar em dúvida.
Quero entender como se encaixa o A no B quando
o vazio penetra denso o espaço das pedras palavras.
Me sinto o pão de açucar se derretendo por dentro.
Você, nem ninguém vai ver.
Pedra sobre pedra que o geólogo descobriu
as partes que dançam, sem divulgação científica.
E veja só: eu só, uma pedra dançante,
dura por fora,
oculta me instigando.
O Belo não me cura da curra da solidão.




Maristela Trindade imagem: Ivens Machado

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

I Feel Like Saying A Beatnik Poem 1950's B Movie Style

I'll do like this

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007



Uma página abandonada por falta de fantasias!
Uma fantasia abandonada por ser tão real!

Letra alegórica é me perder na estrada com você sem sequer desejar
de tanto mar, de tanto sol no seu nome!

Vem cá!? Vamos brincar com a verdade!
Sorri e me dá uma carona no seu astral-delícia-tanta,
que não guarda tempo de sentir qualquer agulha te espetar.

Você faz qualquer jogo virar!
Estico o polegar pra você e a alegria ri, ri, ri...!
Me tira de dentro dessa parede cinza
que atrás dela moram as cores e periga nos beijar!
Que mal fará trocar o rivortril pela tua bioquímica viciante, apenas por uns instantes?

Cada pedaço teu tem me lembrado que posso andar de cabeça baixa sorrindo.
Castanhos são teus olhos vivos, como os azuis de mar...
Castanhos como os meus tão comuns, vibrantes a te olhar!

Criança, você me trás dança!
Rapáz, você trás mais! Homem, você trás tudo!
Só quero a carona e os acasos porque sou paixão rápida nos rastros dos teus pneus e aí...
...e aí é correr, nêgo; ipanema botafogo lagoa .... sartar fora
jogando um sopro de beijo no doce perigo da tua direção.
Escrever então!
Você me faz um bem danado!

Domingo, Janeiro 14, 2007


ABRO O TEU LIVRO,
MEDITO.

RABISCO COM PENA
BRANCA
O PAPEL ONDE NUNCA

ESCREVI.

ACHO QUE ENCONTREI UM

PEDACINHO DE EU
NO
TEU NAVIO.
ÍNFIMO,

INTEIRO.


Para Pedro Lage

Sábado, Dezembro 30, 2006


Vejo,
existe uma imagem que quer saltar.

Me chama em cores mutantes de todas as linhas
que se debruçaram sobre
meu berço, meu sexo,
meu útero
e
minha mente perplexa.

Tá tudo aqui, na caixinha de costura.

Nos tempos SUBWAY FROM ANYWHERE,
sou uma naif bordadeira com linhas não costumeiras.
Só teço o devir.

No silêncio da minha caixa de costura,
mostro aos meus filhos que também são do mundo,
o colorido de tantos cantos e desencantos
nos bordados que fiz
e os convido a tecer comigo
sem temer ferir os dedos finos.

Quantas línguas tentam suturar as mentes shoppings de meus bens!


Todos,
deturpados somos

mas
com tesoura afiada,
eu os acalanto (filhos).
Aguço a cor do olhar, vitral parindo tapetes.

Calar um pouco o vulgar dos ouvidos.

Vamos bordar nossas mentes,
nossos ventres,
quero parir mantos para os dias sem cor de histórias futuras na riqueza
da caixinha de costura.




texto Maristela Trindade
pintor desconhecido

Terça-feira, Dezembro 26, 2006

Descalça Tereza

Descalça Tereza caminha
sem cama
cansada da guerra, cansada
da gana.


Descalça Tereza na noite
vadia
pesando sorriso, pisando
na ira.
Descalça Tereza se prega
estátua
a dor e a pedra, na lasca
da estrada

Descalça Tereza se encolhe
escolhida
cuspida no forno, rotina da
vida.

(50 graus nos calos)

Descalça Tereza não pede e não
manda,
Engorda inteira e de sonhos
se encanta
Descalça(s) Tereza(s) partiram
sem manta,
unhando a alma da pele
humana
Aonde vão tantas "Descalça(s) Tereza(s)" sem Silva,
sem Lima, sem nada,
sem nada?

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

Soco no estômago.
O amor ama alguém.

Não a mim,
mas o que já
esteve em mim.
Fertilizou-me as células com mil felicidades.
Nenhum mal e sim, mudanças
irreverssíveis.

Saudades, não!

Sensações nítidas de que
nunca
houve algo
tão salutar.
Amar.


O soco assustado é o que lembra
meus pés
caminhando sozinhos,
carregando dentro
o que é bom
de se viver a dois,
aqui e acolá,
na alma ou no mar.


Que seja muito felíz o amor
que não
é em mim,
que não sou nele
mas
que é em si,

para onde está.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006



Escolherei as melhores palavras para te fazer sorrir porque as vezes sou bomba no jardim e não quero, de jeito nenhum, que suas pétalas se espalhem a não ser com o vento!

A imagem vem de Portugal! É!





Sábado, Dezembro 16, 2006

É! Orai e vigiai porque o amor volta.
Ré e chega.
É inevitável,
ele sempre volta em algum rosto!

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

qualquer palavração que me leve a ação, qualquer olhar que me tire do estado de não observação, este local de dissecação de nada. prefiro os cadáveres e seus nervos, veias, e roupagem de pele aberta mostrando um mundo inanimado de realidades como um shopping center colorido, com pernas sem motivos, caminhando prá lá e prá cá. arrumar toda a bagunça de dias, anos, sempre todos os dias, desgastantemente sem sequer banho tomar. ou primeiro tomar banho para depois ficar suja limpando, limpando, limpando... a linguagem é apenas um apreço, um carinho da necessidade da alma - que alma? - enquantos as maritacas passam. que alívio ouvir as maritacas passando! eu ouvi! me chamou o canto que povoa o corpo de Manuel que observa o barro, a mata, os animais e nunca sentiu necessidade de nada mais para escrever à não ser continuar no seu templo-pantanal assim como a urbis-chacal. do lugar certo escolhido, pode-se mover os pés para qualquer direção. tudo nesse caso é companhia, é campainha, é o que será intenção e desenho. se eu continuar cega vou acabar vendo demais, mais e mais e só para dentro e tudo ficará escuro como um céu carregado de nuvens quando a água não cai. a chuva precisa molhar a terra e a terra precisa ser terra e ciclos se reciclarem e pronto. normalidade sem normas rígidas no encantamento do inesperado. é bom seguir meu próprio fluxo sem esperar tua necessidade de ouvir de mim algo que só cabe ao teu querer. eu me mereço eu, no esforço de me deixar ser. preciso encontrar um lugar para estar e ver melhor. o calor pré-natalino me faz desejar alguém, carinho, sorrisos, presentes. não me dou presentes ou me dou demais me jogando nas minhas necessidades, esquecendo tudo que é básico, trivial e responsável. mas responsável sou eu em dar conta de mim e desse fluxo desatinado. preencher o cheio com outras coisas abrindo a lata de lixo das coisas mais bem guardadas que não valem nada, nada para mim. o precioso me convém mas o que preciso é de precisão. nada de arrebatamentos como este que não me tira dessa máquina, com a sensação de que trezentas mil vozes vão me falar ao me ouvir, como se fôssem me ouvir. ninguém vai ouvir nada. esse ninguém sou eu que existo e que sou cobrada em ser alguém primordialmente eu a cobradora. me bastaria no momento a casa limpa e a tapeçaria. um certo silêncio dizendo que nada se faz necessário. nenhuma atitude eu tenho que tomar para que a vida ande, nenhuma que eu não tenha tomado. tomei atitude nenhuma, a urgência urge, as crianças existem e eu não estou embriagada nem com vinho, nem com livro nenhum nesse momento. não estou com nenhuma pena de mim. apenas não queria estar assim.
acentos demais, poderosos demais, medrosa demais mais ais ais! Ai de mim, quando a vida fica tão apertada e eu resolvo lamentar sem a porção de pragmática medéia.
Ontem foi
uma bela noite!
Hoje,
chove a chuva que virá.

Sou totalmente consciente
do meu
estado subconsciente.
Estupor que me causa esturpor,
campo livre que me aprisiona,
pedinte do olhar alheio
para ver.

Tenho a boca no lugar
dos olhos e a mente
no estanque da
roda-gigante
lá,
no alto.
Estágio estágio:




Eu espero a tua insistência parA
Que eu possa insistiR

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Estágio Cortical



'''E'''S''Q'''U'''E'''C'''E'''R''

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Estágio elétrico:



^^P^^E^^R^^P^^L^^E^^
^^X^^I^^D^^A^^D^^E^^




Estágio "Acadêmicos":



~~A~~R~~O~~T~~A~~R~~

Domingo, Dezembro 10, 2006

Estágio garganta:



´´R´´E´´G´´U´´R´´G´´I´´T´´
´´A´´Ç ´´Ã´´O´´


DOS CACOS

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Meu músculo cardíaco ainda te ama.
Não.
Meu coração ainda te ama.
Não.
A minha mente.
Bem,
acho que meus lábios....
Não sei!
Acho que meus dedos no seu cabelo fazendo cafuné ...
O cheiro talvez?
Que parte ama, e ama, não sei!
Tá.
Tá bom.
Eu inteira.
Eu inteira meu bem.

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Direitos Humanos....incluindo outros animais!

Que todos os animais ganhem espaço para os seus grunhidos agudos,
os seus mujidos surdos isolados no abatedouro,
todos os morcegos possam ser batman e os gatos, se posicionem do lado que quiserem.
Que os peixes ativem seus sensores e se tornem mais que sobreviventes inspiradores de belas poéticas.
Que os animais racionais se descubram bichos em ascenção e não uma decepção.
Que pensemos na vida como um palco de realizações: quem quiser estudar, estuda! Quem quiser ler, leia! Quem quiser dançar, dance!
E assim faremos a verdadeira Revolução dos Bichos!
Ratos não mais delegados à ratoeira - até porq temos asco de bichos humanos bem mais sórdidos do que essas pequenas criaturas.
É irrelevante a dor do outro que voce ignora? Pois vá e veja! Veja e narre! Narre e escreva!
Observem bem a preservação das espécies e paremos de arrogar preces acadêmicas comparando as diferentes realidades com a qualidade do vinho que bebemos.
Viva o "Sangue de Boi" ! Não mate o boi à machadadas ou de assassinatos intelectuais!
Essa terra precisa de bichos!
De Pataxós, de Guaranis, de Maxacalis, voce, eu!
Longe das chibatas diárias, a vida pode ser... bela, talvez!
Animais gentis em seus diferentes níveis de ethos. A trajetória óbvia é ser adubo.
Nada mais de curriculuns de gravata. Seja perceptivo e construa teu novo projeto no breu da intuição e grite-o para o mundo!
Estimar os povos cansados, espancados pois cicatríz é a porra!
Chega de navios traficantes de alma.
Dancemos a nossa baila!
Para onde vai esse texto?

Maristela Trindade






Este
é mais alguém tentando se equilibrar na ponta dos pés, em cima de uma pilha de livros, para olhar a vida tentando ver a si.
Depois de infinitos "tragos", despenca do prédio em cima daquela que seria seu grande amor.
Ela não morre e ele já está morto, marcando encontro com a amada supostamente morta, no puteiro da esquina prá garantir que é ele o HOMEM QUE TOMOU SUCO e sentiu-se o super-man às avessas.
Que ele não encontre a lavadeira escancarada pela frente!
Ela colocaria roupas imundas num balde para depois colá-lo com um paninho na cabeça do infelíz prá que ele carregue algo de real durante alguns anos, e não somente a própria língua. Bem, no despreparo em carregar coisas concretas, ele pode morder-se também!
O bolso dele vai furar e as avaliações estereotipadas, camuflando o prazer que ele sente pela censura chula,
vão se desmanchar nas ruas da Lapa.

Isso é um desejo carinhoso.

Tudo vale à pena quando a alma de alguém é tão pequena!
Alguém delicadamente me pergunta como estou.
Estou bem.

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Bate cabeça na parede tres vezes.
Se a sorte te acertar,
os teus,
não vão reclamar.

E eu vou me esparramar dadeira prá VIDA!
Me dou atrazada,
me dou errada,
me dou cambaleando,
mas vou.
Vou deixar minha marca e se alguém tiver dúvida,
tenho uma cicatríz na perna esquerda,
duas cesarianas muito bem feitas,
alguns dentes implantados - só na parte superior-
e um monte de tentativas de histórias de amor.
AH! Dancei! Dancei muito nos becos, nas festas, boites, sambas, escolas, academias, aniversários, eventos poéticos, anti-éticos, em casa, nas calçadas....
Só não dancei nos enterros por q aqui não é o México!
Mas se voce me avisar com antecedência e eu estiver viva,
EU DANÇO,
EU DANÇO,
EU DANÇO!
Vai dormir noite vazia
e faz da nuvem tua guia.
Eu quero pular a manhã,
quero pular o amanhã,
quero pular o muro!
Um murro,
um graffite,
uma dança-bria e as noites passam.
Só quero lembrar de esquecer!
Hoje
nenhuma cor,
nenhuma imagem,
nenhum texto,
nenhum poema,
nenhuma causa,
nenhuma calçada....

Nada me interessa à não ser...
Não.
Não é o "Ser" voce!

É Ser eu!
Quieeeeeeeeeeta no
VAZIO!
Eu nunca quis te dominar! Então por q me deixar?
Eu nunca quis te possuir! Então por q me ferir?
Eu nunca quis tirar teus vícios! Então por q inimigos?

Eu quero tirar tua roupa, montar na sua garoupa, sua bebedeira acalmar,
ouvir voce ronronar, acordar seu sentido amôrfo, lembrar-te que és vivo e
não morto, gozarmos juntos outra vez como se fosse a primeira vez.

As baleias passam
As balelas de amor também.
Palavra
Textura


Lixas roçando Unhas
ranhuras

Lábios afundando Faces
profundidades

Madeira Machadada
amputada

Piaçava roçando Chão
arranhão

Ar expirado nos Pêlos
eriçamentos

Línguas salivas Misturando
babando

Papel amassando nas Mãos
vãos


Pau em Penetração
inervação

Lágrima na tez Deslizando
evaporando


Faca silenciosa Cortando
sangrando


Texto escrito a Mão
contração

Fogo em qualquer Lugar
queimar

Ferida Aberta
cicatrizar
...


Vi abaixo dos teus olhos bolsas esbugalhadas, peso dos cacos.
Cacos da mente, cacos do corpo, cacos desamor, cacos solidão,
cacos de um intelecto hiper-tudo para o qual o imediato é mortal.

Vi as dores antigas, a morte sorrindo, todos os vícios...
Vi tanta coisa que me causou ternura. Voce está Vivo!
Sua pele insistindo em sorrir musicando sonhos, nem pensei! Fui sentir a textura de toda essa balburdia macia e branca.
Trupicamos nos desencontros.
Seu tempo tem os ponteiros da noite dos gatos, voltando dias depois já sem nome
para a casa dos teus sentidos.

Nada quis salvar, redimir, transformar... Nada trouxe que não fosse um brinde.
É assim que o mundo ganha novos toques! Mas voce...
Voce não volta mais...e eu....
eu não vou!

Ficam os olhos, os alhos, os bugalhos, teus escritos, tua vóz gutural, tuas músicas tuas críticas mordazes, as bolsas oculares me deixando ver o mundo com um pouco do teu olhar. Os cacos que te fazem voce.
O chão está cheio de cacos.

escultura de Ivens Machado

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006



Foi quando tarde
é noite
e poemas pão
como o dia
nascem frescos

Na manhã,
olhos espelhados de lua
no sol que mais forte
brilha coração acelerado
pra mostrar que
o que meu é seu
quando quero dar-te amor

Sobra tempo e tanto
o desperdício
é normal
o sentimento é
talvez
e brutal.

juju hollanda


Quero pão
e o pão
vem de longe
porq
se entrega constante em lugares antes,
teu coração!
Até chegar em Botafogo,
minha original
fornalha, já me esfriou
o estômago e o
miolo malha!
Morro ou não morro de fome.
jejuo voce.


Maristela T.

Domingo, Dezembro 03, 2006



Estou seca sem voce.
Caminhar, ver filme, correr
Fingir: tudo é como antes. Tudo como quase foi!

Ou voce mentia
ou era covardia.

O espelho que tenho em casa só mostra a minha imagem.
A sua sumiu!
Tenho saudades de me perfumar pro teu corpo cansado.
Saudades é bom de sentir
perto,
Dentro do abraço!
Aonde estão teus
braços?

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Cuonta cosas!
Cuontas.
Cuonta cosas

para mim
hoje,

em bolada com
a vida
em
bolada com
a poesia
com

a performance com
os excessos
com
as faltas
com
as presenças
com
as
ausências com
os silêncios
com
as falas-alças odes

de amor
com
meu olho torto
com
.... sei lá
O que? mais
queria um pouco de
paz
cinema trabalho livro limpeza boa comida
dinheiro da qualidade de
bons
livros bom perfume
cds
necessários sapatos um

trato a + mas ....
"...tá tudo solto por aqui!
tá tudo assim

tá tudo assim!
Quem vai querer comprar bananas?
Momentos só

Momentos drama
O corpo é natural da cama
Vou caminhar um pouco

mais atrás da lua..."
na rua
em mim
Me cuonta
cosas!


para JUJU

Quinta-feira, Novembro 23, 2006




Hoje eu vou escrever muitas palavras de amor...
pandeiro, cuíca, trompete, tons graves, lágrimas entregues,
canto, dança, queijos, vinho, chocolate, amigos, literatura, cinema,
roupa leve, paisagens, poesias, artes-plásticas...
Coisas boas que façam eu perder a sensação de perda
e reencontre o sorriso daquilo que um dia encontrei.
hoje, vou curar o amor.

O COTOVELO É A PARTE MAIS IMPORTANTE DO CÉREBRO


O COTOVELO
É A PARTE MAIS IMPORTANTE
DO CÉREBRO!




O COTOVELO É A PARTE MAIS IMPORTANTE DO CÉREBRO!!!!!!!!!



"...por causa de voce bate em meu peito
baixinho é quase calado

Um coração apaixonado por voce ...
que não sabe quem eu sou


....que não conhece o meu amor

Pois voce passa e não me olha
mas eu olho prá voce

Voce não me diz nada
mas eu digo prá voce
Voce por mim não chora
mas eu choro por voce

Voce por mim não chora
mas eu...
voce"


letra de Jorge Ben Jor


OGÃ, TOCA PRÁ OGÚM!
OGÃ TOCA PRÁ OGÚM........

COTOVELO




A ponta do cotovelo sustentava os
dois ponteiros do relógio.
Nada de o tempo parar naquele sempre...
Dia um, dia dois...
No terceiro, o relógio poderia mudar o rítmo
mas,
o cotovelo começou a doer.
Doer muito!
O relógio ralentou ainda mais o compasso.
Meus músculos se comprimindo para sustentar o cotovelo doído.
Ai! Como incomoda a ponta do cotovelo pendente no centro do tempo.
Dói muito!
Dor de cotovelo dói demais!
É tão expansiva que interrompe sinapses entre a razão e a emoção,
aperta como ponta de talheres o tecido do coração,
faz o fígado encolher
e o estômago chorar.

Os pés viram bigornas e os olhos,
os olhos cegam sem ar!

Os cotovelos,

quase autônomos se atraem por situações de risco,
cheiros específicos.
Ambos se afetam: cotovelo e relógio.
O mundo pára nesses casos e a dor...
Dor de cotovelo dói muito!
Dor de cotovelo dói demais!

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Pente


Ontem.

A serpente
me penteia

Terça-feira, Novembro 21, 2006

Amor em...


Vou ouvir música de amor em hebráico
para nada entender
de palavras,
só de amor!

peso




Hoje

peso
cabeça
perde.

noite



Hoje

pena,
a noite
cansa!

Rodas



Que frio é o freio
do carinho desfeito.

Defeito da gente que não sabe
guiar
um carro-de-boi!

O amor as rodas criou,
com movimento

de velocidade imprevista,
às vezes andando de ré.

Pé no chão de barro,
o frio entrando descalço,
puxando as rodas
do carro
atolado,

e o amor ficando aos pedaços
por q a gente não sabe guiar
o carro-de-boi.

Leve Ana


Tão leve Ana,
que levianamente
abraçou todo carinho,
que levianamente
amacia a face branca e áspera do outro.
Lábios de ternura!

Tão leve Ana,
que levianamente sente a ausência da saudade saciada,
que levianamente levanta do asfalto escorregadio
e anda!


Tão leve Ana,
que levianamente segue a própria sorte seja a caminho da vida
ou a caminho do corte,
pois aprendeu unguentos de cicatrizar!

Mas, Ana!
Deixe Ana!

Não leve sua leveza para lugar algum.
Na sua ingênua leviandade ela ainda
guarda ensejos de amor
de uma pureza,
leve Ana,
incomum!



# Chet, toque alguma coisa para Ana, please!


foto: Chet Baker
Fot. não identificado
Texto: Maris...T.



Domingo, Novembro 19, 2006

músicaaaaaaaaaa

"...olha a voz que me resta,
olha a veia que salta,
olha a gota que falta pro
desfecho da festa
...."

A música nos escritos.
As flores importam ao meu redor
e mesmo ainda falando demais,
pisando pregos e mantendo
uma
certa tendência a tudo abandonar,

reencontro pureza nas minhas tensões.

Tudo expus.
Mostrei
minhas dores, recalques,
confusões em praça pública.
Fui vulgar pela lucidez de desejar o chão.
Já bebi todas e desmemoriei
sem encontrar os fatos.

Agora volto a querer
acompanhar minha boemia, meus
deslizes
sem me engolir.

Me dou chances de não cultivar
ausências.

Alguém tem me ensinado
a perder também.

Aprender a perder é a maior das delicadezas.

Terça-feira, Novembro 14, 2006

confusões em teia



Voce,
que se dane com o medo da viadagem alheia,

da puta juvenil rasgando a meia,

do senhor de idade arrogando sapiência
e da jovem senhora se achando feia.

Eu
que me dane prá suposta falta
de conduta,
prá poesia se ela me colocar em dúvida.
Que se dane os do palco se me acharem tímida e os enrustidos se me acharem fingida.

A poeira voa sem asas!

Voce,
não me exploda com seus critérios estupefados
quando
assalto a floricultura e te cubro com
pétalas nada fúnebres,
nada apaixonadas.
Apenas pétalas que os teus conceitos não são
mais capázes de apreciar sem medo.
Devolve então meu nome da tua boca
antes que eu comece a acreditar que todas
as flores são de plástico.




foto de João Saboya
dedicado aos que gosto mas que precisam relaxar

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Flores.......roubadas





Não jogue tantos cravos no caixão vazio.
Roube margaridas, flores de rua e dê para ele ou ela sem nada esperar. Voce tem tempo. Tempo para ousar!



Para Juliana Hollanda

Animais



A menina viu o camundongo e gritou. Subiu na cadeira, até que o pegassem.
A menina sentiu o tigre debaixo da cama.
Ninguém pegou o tigre e ele não fugiu.
Sussurrou seu
nome todos os dias do ano. A menina, assustada, não cresceu.
O homem roeu suas roupas, roeu sua pele e
seu estômago aqueceu.
A menina atrofiou a razão que tinha
e, leva consigo
os cabelos brancos ainda
longos,
a cólica da primeira menstruação
e
um medo enorme de não ser real.


Maristela Trindade

Domingo, Novembro 12, 2006

Num bar da São Clemente


Ele sentado no balcão do bar,
sente o cheiro da rima do adentro da calcinha dela.
Ela,
rima de pudor, guarda na pequena sainha as histórias que estão por vir.
Bela!
Prá ela muito já se escreveu do ponto do ônibus até a escola.
Ele não desiste e segue seu cheiro - quando o ônibus é o mesmo, é claro!
Guarda as "Mortalhas da luxúria" de bicho novo e vivido e se faz bonito, tranquilo no olhar - o homem vai atacar!
Ele é bonito. Ela também.
Ele é poeta. Ela é motivo.
Ela,
um pequeno milho de pipoca ainda fora da panela que ele transformará em suculento jantar para dois.
Ela,
passará do amarelo ao branco explodido, com face e cabelos disformes estourando de prazer enquanto ele
come seu prato preferido.
Surpreza é bom em qualquer lugar, principalmente perto do fogo.
Amanhã, de novo não.
Ela vai passar ao longe e procurá-lo e ele estará num outro compromisso obceno, sem a sainha da menina por perto.
Essa Rua São Clemente, tem lá os mistérios da gente.
É cheia de bares para olhar os olhares que vem dos outros bares.
E a vida vai ganhando excitante distorção nas garrafas de cerveja que espelha os espiões.
Bons momentos para ataques diurnos!

Para "Registrado", com toda sua tranquila vontade de viver intensamente cerveja.




Sábado, Novembro 11, 2006

Mirra Maria!




Mirra Maria,
me procurei por essa vida inteira

e um canal,
do mar mais largo
eu encontrei.
Seguir e não voltar.
Mirra Maria,
o cheiro das salinas que o
incenso ardeu!
O fogo queimando nas
águas nada apagou!
Está por lá a minha casa esquecida,
o meu lar de espuma e jacaré,
os peixes parceiros da feminilidade.
Trovões, raios, nuvens rarefeitas,
sol e lua!
Todos os elementos além dos escondidos
nas profundezas endurecidas do mar.
Tem tudo lá!
Mirra Maria,
É seguir o destinado e não voltar.

Maristela T.


Terça-feira, Novembro 07, 2006

Moderato Cantabile

Eu não me sinto bem sem o
meu Moderato Cantabile

Eu não me sinto eu sem o
meu Moderatto Cantabile

Eu me sinto sem corpo sem
as árias de cifradas
palavras
Eu não me sinto a vontade
para dividir

ou para somar com
tanta sobra assim.

Sobra LÁ,
Sobra SI...
Contra-tempo
musicais no
Código de oitavas com

lâminas de acesso
dodecafònicas
- uma errata
em MI.


Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Amarela encardida LUA!


Lavei algumas letras com
sabão de côco.
Algumas sílabas, só a
sanitária
removia o ranço.

Tudo me incomodava
na composição,
quando
olhei para fora e
lá estava ela; amarelada
tal qual as meias das
crianças,

as letras, as janelas...
Brilhava sem prata
e inteira, ignorando as
dificuldades caseiras.
Eu me empenho em
impar,

ela Lua, brilha!
Lua no céu casa palavras
no balde em que lavo..

Lua poema amarelada encardida,
que me descansa os
calos sem
rima.

Maristela Trindade
com pitacos preciosos de florencio thiago

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Mente inventa amor, O corpo, não!


Minha mente inventa amor mas meu corpo, não.
Nada de amor quero inventar sozinha, como não quero um corpo magro, ressentido sem carícias. Prefiro o desmanche de tudo que provocas.
Ouço "vamos com calma", do mesmo que me acelera.
Confusa, lembro a mim que minha calma é
plena de sentir, beijar, acoplar, dormir
Mas é em mim.

No outro, é outro jogo.
Eu não sei dançar bem esse carteado de homem caloso.

Sou dança espontânea com pés descalços.
Voce vem, eu danço também.
Voce vai, eu danço mais.


Foto de Isadora Ducan

Sábado, Outubro 28, 2006

Tenta que o gol sai!


Uma mulher é sempre
uma única mulher.
Não é o Capela,

não é cerveja mas
é, como tudo e
homens

de uma deliciosa
existência
banal!
Uma mulher sabe
sorrir espuma e chorar
os bares que quer.
Assim como banal e doce é o olhar do

homem para o outro homem
com a bola no pé,
com tamanha
volúpia que não percebe a mulher a chutar na trave,desejosa do jogo, do drible!
No final do segundo tempo
ela quer gritar cúmplice: goooollllllllllllllllll e brindar:- À Nossa!
Dá prá bater um bolão nessa dividida.

Maristela trindade

Pólo Náufraga


Amore,
noite de náufraga cravada com o chicote da tempestade que parece, ninguém viu ou sentiu chegar.
Algum deslizamento no Pólo Norte provocou o desmanchar de tudo que era coisa em mim.

Assim, tive
que construir uma indesejada canoa, indo contra o maremoto que me inundava. Não fui eu que causei. Não haveria eu de ser a redentora, mas, cá estou voltando aos poucos para terra, e exausta de repetir voltar mas guardo em mim o saber que daqui a dois dias, estarei plena de um sorrir sem memória.
As águas param em movimento.
Ainda não cheguei em rua nenhuma, cafeteria alguma, tão pouco carioca à beira mar.
Quando voltar, eu sei, o cansaço durará o tempo dos afazeres, e eu virando-latas novamente, terei uma única certeza: que enquanto eu morria, um casal fazia amor com o cheiro das salinas.
Um ao menos, eu sei, no
Atlântico Pacífico.

letras ao amado Robson Leite

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Eu escrevo pedras

EU ESCREVO PEDRAS



Voce escreve poemas
Por vezes escrevo pedras.
Elas pontiagudas me encontram
acústica.

Escrevo duro fazendo barulhos!
Dou minhas pedras as água,
aos animais,
às possibilidades.
Escrevo e dou.

Provoco sons
com escrita dura.
Voce escreve,
o outro inspira e eu
expiro pedraspalavras

Pego o soro como um bicho sedento,
coloco na narina e aguento.
Debocho do contínuo pois amanhã,
o que será?
Zombo dessa desordem orgâniga
que me faz quase calcário em mutação.
Um pedaço de tonteira na beira do rio.

Rolo as pedras sem dicernimento
do lugar para onde vamos.
Com pedras se pode brincar.
Já eu, por vezes
escrevo pedras,
construo pedras
pedrapalavras


Marispedra Trindade

Emburacada na tua face

Emburacada na tua face


Um Poema de Amor


todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar - eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

poema de Charles Bukowski



Eu queria passar um tempo nessa cara esburacada sendo o ouvido e os teus sons vividos.
Às vezes eu não erro. Destruo.
Tá aí o tempo-silêncio dizendo que nada vou conseguir consertar.
Faço xixi na rua quando louca ou quando apertada
e aprendi a levantar o queixo grande apesar de me ver toda errada.
Uma errata.
Prefiro a empáfia e o comedimento de saber que fiz, por falas alheias ou pela consciência atrazada do q não fazer.
Chove nas ruas a moral dos outros, o mundo dos outros, a mentira dos outros e
eu quero sol.
Às vezes da vontade de criar vacas prá ficar levinha mas não vou.
Se eu sou a que devo idoniedade a mim,
sou também a que tem que entender que sim.
Sim: faço muita merda e voce vê.
Faço uma inesquecível deixando os vestígios
e as marcas disso tudo
sou eu mesma.
Levanto novamente o queixo camuflando arrependimento, sigo em frente, de um lado, do outro lado e vou ouvindo Tom Waits, Lou Reed, Billie, batuques muitos e pronto.
Se a bebida me deflagra rancores, pudores, recalques,
que eles saiam de mim sambando.
Eu também não desejei nenhum dos tapas na cara que levei ou dei.
Sou som e dança.
Prá que fingir o TAO de ser felíz?

Buk, voce não teria nada com isso se não fosse os
buraquinhos na cara dos teus poemas onde eu quero passar as férias.


Allém de mim



“when it snows in your nose
you catch cold in your brain”

(Allen Ginsberg)

Querendo estar com Rilke


O poeta - Rilke


Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é meu açoite.
Só. da boca o que eu faço agora?
Que faço do dia, que faço da noite?
Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.

R. M. Rilke - Tradç: Augusto de Campos

...................................

Então me devora noite e dia e
madrugadas afora, vazias
sem que eu escolha
os talheres
de prata ou mão.

Sem que eu esboce lamento,
sorriso,
constatação.
Os goles de vinho adiarão
em bem-estar os dias teus afetivos.

Maristela Trindade

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Tufo, Tufo, Tufo


Serei a marra mais desatada,
a que que amarra os " nãos"
nos "sins"
porq eu vou!
Tufo,
tufo,
tufo rolando no deserto menos rápido que os pneus dos meus olhos e o carro sem retrovisor que na estrada quebrou.
Por detrás das montanhas surgem frentistas em seus oásis querendo abastecer meu movimento numa parada indesejável.
Camelo bebe pouco, mas bebe prá se regozijar no sufoco.
Aceito a oferta pisando no freio a duzentos por hora... Uma generosidade implacável.
Mesmo para a gentil aparição, não serei mel porq sou acre e meu negócio é sal com gotas de azedume.
Mesmo assim será um tempero normal. Só assim será um prato experimental.
Comer onde não há comida, beber aonde não há bebida e correr velóz para continuar a ver os tufos passando pelo meu futuro, tufos, tufos, tufos

Sábado, Outubro 21, 2006

"Lá vem o homem, que matou o homem que... "


"Lá vem o homem que matou o homem que matou o homem mau."
"Lá vem o homem que matou o homem que matou o homem mau."
Trata-se de um caso policial. Ele é chamado de Poeta. Traz na boca palavras belas e debaixo da língua uma gilete estacionada esperando os pêlos e acertando em cheio a pele do amigo pelas costas.
Ele odeia as gentes, principalmente os que como ele, escrevem.
Uma agonia tão grande envolve esse cara que ele vive cuspindo disfarçadamente seu amargo nos livros dos caras. Mas rouba poemas e diz que são seus!
Locaço!
Não só os ratos enojam pessoas.
Cobras, lagartixas, animais gosmentos... E ele tinha essa devassa mente que se descabela com a existência desses "repugnantes"!

Repugnante é a capacidade que ele tem de odiar todos e parecer que não. Simular amar, gostar, sei lá...
Mais um suposto "são".
Pertence a uma raça hospedeira que nada de concreto desafia e só quer desafinar os cantos numa prática indecente de dissecação de cadáveres de poetas vivos.
Pois eu, uma eventual hospedeira, me enojo. Me enojo dos meus, dos seus, dos eus quando incendiamos o mundo com uma hipocrisia daninha, disfarçada de melodia querendo pisar-nos baratas.
Ele e outros são piores. Coleção de críticos desabilitados, que não evoluem nem bolas de sabão para que a ilusão seja plena.
E chamam os bêbados de "bêbados"! Os loucos de "loucos", as putas de "putas", com asco! asco! asco!
O bicho ruim acorda cedo porq ainda não dormiu sua peçonha e entre uma apresentação e outra de belas palavras e sorrisos, enche a cama dos parceiros com tachinhas douradas e finas pontiagudas.
Ele já feriu muitos. Prefere ferir do que matar para não ser pego em desatino.
Se por acaso voce for vítima do maldito, ao se deitar distraído perceberá que a convivência com esse homem, era o teu purgatório poético e com sorte, voce se erguerá sangrando e fará o teu trabalho com precisão.
Precisão. Procure a precisão. A escrita asfalteira e a distância certeira. Vai!
A polícia já fichou o cara. Ele matou um homem. Ao menos um, eu sei!
Falou tão mal dele para todos, extirpou-lhe as palavras dos eventos, minando-lhe a crença do cara singelo que em desvario pulou da janela do apartamento 1011 no Flamengo.

Eu conheço esse homem sem disfarce. Tenho uma marca nas minhas costas desenhada em dourado e eu tô vendo que voce também!
Cuidado. Ligue 22 e fuja sorrindo.
Tem gente atrás dele além dele mesmo. Um cara brabo que também já matou um homem mau. Tem um livro de cada um na casa dele autografado!- ao meu amigo, te dedico essas ditas!
Vem prá cá, vem pro palco que ele sai da sua mira!
"Lá vem o homem, que matou o homem, que matou o homem mal! Lá vem o homem, que matou o homem, que matou o homem mal! Lá vem o homem, que matou o homem, que matou o homem mal!"

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Imagina sorrir?


Imagina sorrir?

Largar o com puta dor
prá dar um beijo nela
que é tudo que me esfera

Deixar em casa a hérnia
prá tomar no chopp dela
e com proveito deslizarrr


Cheirar apenas noite,
fazendo amor e é nela
na passarela a beira-mar


Esquecer o bolso vazio,
mergulhar no quarto Lapinho
com os trocados que ela tá

e me chamando
e me embolando
e me tramando
e me cantando!

Jogar a língua da família
no forno da padaria
e só a ela eu esquentar

Tirar o olho da olheira
e rir pássaro pousadeira
na flor que ela me dá

Forget o doctor sombrio,
aproveitar todo carinho
e com ela suar "meu bem"

e me chamando
e me embolando
e me tramando
e me cantando!


Imagina?
Mas imagina?
Só se eu tivesse morto!
Só morto!
- ou melhor:
só se eu tivesse vivo!
Só se fosse muito vivo!
Vivo! Muito vivo e bem disposto.


Sexta-feira, Outubro 13, 2006

Eu abalo Sísmico. Voce minha Cisma.



eu preciso beijar voce deitar voce, me dar voce desvendar sua geografia perder a ironia de não te saber de cor se meu espelho me revela na calcinha vermelha encharcada de tudo que dentro em mim treme. Treme e torce líquidos que quase me afogam e se a minha fisiologia ainda não cometeu tal delito é porq expulsa o excesso quente e me cansa, descansa, dando-me a chance da espera. Logo eu que sou da dança me comprimo em celibato e erro tudo ao meu redor. Descompensada, quase dando risada dos atrapalhos que cometo te querendo. Que desvario é esse no bico dos meus seios, nos batimentos cardíacos, a falta de ar? Queria que a minha mão fosse a tua, meu dedo fosse o teu em penetra ação. Tens idéia da infinitude do meu corpo quando te imagino me tocar? Como se eu, um tanto miúda, ganhasse proporções de mar, de céu, de terras movediças e a velocidade da luz, lá longe, lá não sei onde! Com todas as músicas podendo vibrar em sons que ressonam de todo universo.
Eu abalo Sísmico.
Voce minha Cisma.

Maristela Trindade

Quinta-feira, Outubro 12, 2006


Os tremores corporais, sentir
Os apertos estomacais, desejo
O calar , "clamar" um beijo
As minúsculas, curiosa ansiedade
Os disfarces nas sentenças chamam o
alimento dentro.
O relaxamento da saudade, distanciamento.



Maristela Trindade, pintura de Ismael Nery

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Ponteiros




tu?
joga para fora do relógio
os ponteiros das tuas horas
nas horas dos teus encontros
sem tempo, sem endereços, sem desejos,
furtando do destino acasos previsíveis como um beijo, uma carícia,
boas palavras de uma humanidade quase cruel para teu devaneio.
Não segues por um caminho descabido.
Nem sequer é caminho. É um adentrar pela mata fechada
onde teu corpo se sente forte. Muito mais forte
do que quando tens o meu corpo no teu,
chamando pela lucidez da maior das alucinações que não se quer esquecida, não se quer última, não se quer palavra...se quer, se quer, te quer
e voce já foi.


- Pintura : "Relógios moles" de Salvador Dáli